Mais de R$ 100 mil em espécie, centenas de garrafas de vinhos e espumantes de alto valor, relógios de luxo, joias e mais de 80 veículos foram apreendidos em Uberlândia, durante a Operação “Mercúrio”, desencadeada desde o início da manhã desta quinta-feira (29) em 11 estados brasileiros. O objetivo é combater uma quadrilha especializada em roubo e receptação de caminhões e cargas, agiotagem e lavagem de dinheiro.
Os detalhes da operação foram divulgados durante coletiva de imprensa realizada nesta tarde no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A ação é comandada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberlândia com apoio da Polícia Militar (PM) e da Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap).
Foram expedidos 93 mandados de prisão, sendo 45 de prisão preventiva e 48 de prisão temporária, além de 110 de busca e apreensão. Segundo o Gaeco, a chefia da organização estava instalada nas cidades de Uberlândia e Goiânia (GO). Eles teriam movimentado, pelo menos, R$ 40 milhões e o Ministério Público Estadual obteve o bloqueio judicial desse valor, além da apreensão de cerca de 200 veículos em todo o país.
Nas regiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba foram cumpridos 42 mandados de prisão, sendo a maior parte em Uberlândia. Conforme o Gaeco, na cidade, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em uma loja de veículos na Avenida João Naves de Ávila, chamada BL Motors, que era usada principalmente para lavagem de dinheiro.
Conforme o promotor de Justiça, Fabrício José da Fonseca Pinto, o valor movimentado pela quadrilha pode ser ainda maior.
Em Uberlândia, os investigadores passaram a tarde analisando os documentos, celulares e computadores apreendidos na operação.
Durante a coletiva, o promotor do Gaeco, Adriano Bozola, explicou que os pagamentos pelas cargas roubadas eram feitos por meio de Transferências Eletrônicas (TED), cheques próprios ou de terceiros e com veículos. Somente em Uberlândia, foram mais de 80 veículos, a maioria de luxo, apreendidos.
“Os carros eram entregues em lojas de compra e venda de veículos. Os proprietários, gerentes e funcionários dessas lojas, cientes da origem criminosas dos veículos, faziam ofertas e pagavam entre 60% e 70% de valor de marcado para terem lucro em cima disso”, explicou o promotor.
Já o promotor de Justiça, Fabrício José da Fonseca Pinto, revelou somente em uma residência onde os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão foram apreendidos 10 relógios de luxo. Estes itens e cerca de 140 garrafas de vinhos e espumantes de alto valor eram utilizados para a lavagem de dinheiro.
“Com relação à consignação dos veículos, não é só a demonstração de que havia o comprovante de propriedade do veículo. Mas a necessidade de se demonstrar que aquele proprietário possuía recursos lícitos para a aquisição do bem. Porque senão ele poderia estar lavando dinheiro também com a aquisição do veículo”, ressaltou.
Em todo o país, mais de 400 policiais e pelo menos 20 promotores participaram da operação. Para o comandante da 9ª Região de PM de Uberlândia, coronel Cláudio Vítor, a ação foi bem sucedida. Segundo ele, seis armas de fogo também foram apreendidas durante a operação. “Esses recursos apreendidos servem para financiamento de outras atividades delitivas”, pontuou.
Conforme o auditor fiscal da Receita Estadual em Uberlândia, Flávio Andrade, o trabalho também mirou empresas de defensivos agrícolas e revendas de café.
“Agora, o papel da Receita Estadual é olhar aqueles que receberam essas notas fiscais ideologicamente falsas. Pois, se as notas fiscais são de empresas de fachada, a origem dessas mercadorias ainda é desconhecida”, concluiu.
Investigação
As investigações duraram cerca 10 meses e tiveram como origem as operações Catira e Fideliza, deflagradas pela Polícia Federal em 2015.
O promotor Fabrício José da Fonseca Pinto deu detalhes sobre como a quadrilha se dividia. “Eles tinham várias estruturas. Uma era operacional para roubo de carga, outro de receptadores e havia uma outra estrutura de intermediários que vendiam as cargas roubadas”, explicou.
Ele contou ainda que policiais civis foram corrompidos durante a atuação dessa quadrilha, que pode ter pagado propina para agentes públicos.
Fonte:G1 – Foto: Fernanda Vieira/Divulgação










